Coluna de Fogo

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É possível vencer a depressão?

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Segundo as estatísticas a depressão é a maior causa do suicídio. Um estudo do Ministério da Saúde revelou que a cada 46 minutos, uma pessoa comete suicídio e a cada 3 segundos uma pessoa comete suicídio; são números assustadores, que custaram chamar a atenção das autoridades, da população brasileira. Já no início de 2019, o número de suicídios dobraram em comparação aos anos anteriores, uma média de três suicídios/minuto. Mas vi tanta gente falando o que não sabe, que resolvi falar sobre a depressão.

Minha depressão sempre esteve aqui. Mesmo que eu não a encarasse assim, ela sempre esteve aqui, coladinha ao meu lado. Sempre a ignorei porque sempre achei que era falta de exercício, falta de objetivo. Pensava: ah, tô triste mas é porquê tá tudo dando errado. Nunca pensei que tava tudo dando errado por estar triste; estudei nos melhores colégios. Sempre aparece alguém pra dizer que temos tudo; que não temos razão pra estar depressivo; o que nos deixa mais triste.

Bom, quero aproveitar este momento em que me encontro aqui do lado de fora para escrever com base no “eu” que já esteve aí e neste “outro” que um dia pode voltar. Talvez, enquanto eu escreva, você continue sentindo uma tristeza, um desânimo e um vazio que te acompanham até demais, só que tudo isso não te impede de estudar, de cuidar da vida e fingir que está tudo bem quando a ocasião requer. Ou talvez você esteja paralisado e sozinho, duvidando que possa realmente sair do fundo do poço algum dia (estive aí, também). A depressão pode mesmo levar ao suicídio; em outros casos, ela pode ser uma pena longa e severa, anos e anos de prisão intelectual, afetiva e funcional. Acho bom entendermos isso.

É preciso reconhecer a dimensão desse obstáculo. Primeiro, para nos darmos conta de que essa condição demanda nossa atenção e cuidados imediatos e continuados. Depois, para estarmos seguros de que estão errados aqueles que, por não a terem experimentado, e por estarem mal informados, subestimam ou estigmatizam a depressão. Com isso, contribuem para criar dificuldades ao enfrentamento adequado de um problema de saúde pública mundial. Também contribuem para agravar o sofrimento de pessoas próximas. Eu tinha minhas dúvidas quando estava aí onde você está, mas hoje é bastante claro para mim: depressão não é sinal de fraqueza.

A depressão pode consumir tempo de vida, mas também pode passar. Passei dias inteiros, do nascer ao pôr do sol, dormindo ou apenas olhando pro teto; deixei de estudar; era torturado sem tréguas por meus pensamentos, sempre sozinho e incompreendido no meu inferno pessoal. Tentei aguentar, tentei me ajudar, recebi ajuda. E um dia vi que tinha superado o período de depressão. Não me iludo, sei que posso escorregar de volta e saiba que não há fórmula, tratamento certeiro ou segredo: varia.

O que tenho de mais importante para te dizer é o que não podia ver aí de dentro: “dá para sair.” Para mim, faz sentido pensar na depressão como um feitiço ou um pesadelo; um filme de terror; uma pedra no rim. É terrível, mas uma hora acaba (não digo que acabe por si só; é mais provável que requeira um esforço consciente, prolongado e considerável, na maior parte dos casos). Posso te dar um exemplo simples: basta lembrar de algum período da vida em que você não estava em depressão. Ela chega e ela vai. Espero que você encontre outras pessoas que se libertaram, que pare para ouvi-las, e que decida acreditar nisso. Espero que se lembre disso quando estiver no coração das trevas: “dá para sair”. E saiba que ninguém vai te salvar, a não ser você mesmo. Com isso, não quero dizer que não precisamos de ajuda e que não é importante contar com a compreensão, a paciência e a generosidade de familiares, amigos, médicos, apoio de sua comunidade religiosa (se houver). Quero dizer é que todo o apoio dessa rede de pessoas, e mesmo os medicamentos, podem te ajudar até certo ponto. A partir desse ponto, você tem de caminhar sozinho. Talvez a depressão, dor crônica da mente, da alma, seja como a dor do corpo, um alarme disparado denunciando a enfermidade de nossos modos costumeiros de interpretar e tocar a vida. Mas o remédio e a prevenção não estão na dor. É na vida de todos os dias, em meio a meus afazeres e preocupações corriqueiros, que sinto ter de encontrar, ou definir, os rumos de uma existência significativa.

A depressão quase me levou e ela pode levar muita gente, se continuarem acreditando ser frescura, se continuarem achando que é falta de Deus. Pode levar muita gente, como já tem levado, porque muitos continuam acreditando que remédios bastam e que ”é fase e vai passar”. As pessoas querem se abrir, elas têm sede de ver as suas dores acolhidas. Mas, em meio a tantos julgamentos e conceitos errados, eu preferia me calar, mesmo que isso não parecesse tão simpático. Era mais fácil dizer que estava tudo bem e depois chorar, do que ter que contar sobre mim e ter de ouvir uma resposta desagradável. Não sou melhor do que ninguém por não ter me rendido totalmente, só eu sei o quanto era dolorido conviver com aquela dor e a imensa falta de força que sentia todos os dias. No entanto, posso ser melhor do que muita gente que não entende que depressão não é e está bem longe de ser frescura.

Vença um dia de cada vez. São muitas e pequenas escolhas diárias: se abrir com um amigo, pedir ajuda, procurar um psicólogo ou psiquiatra, levantar da cama, dar uma caminhada, passar o tempo com quem está disposto a te apoiar, exercitar o corpo, evitar o álcool e outras drogas com efeito depressivo (estou me referindo aqui ao caso da pessoa deprimida), buscar coisas que te façam brilhar os olhos, prosseguir no caminho sem fim de dar significado à vida. Só você pode fazer essas coisas.

 

Gabriel Rodrigues

 

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