Acho que valorizamos demais o que deveríamos valorizar menos e valorizamos menos o que deveríamos valorizar mais. Imaginei o fanatismo do futebol aplicado a curas e tratamentos de doenças. A sociedade discutindo, torcendo e vibrando por cada avanço. Investindo tempo e recursos no bem-estar da própria sociedade.
Imagine você um estádio lotado, não para um clássico de futebol, mas para aplaudir nossos médicos e cientistas. As arquibancadas vibrarando não com gols, mas com cada nova descoberta na busca por soluções para a saúde e para salvar vidas. Cada pesquisa bem-sucedida, cada novo achado revolucionário, seriam celebrados como um gol histórico, de placa.
E se nosso fanatismo pelo futebol se transformasse em uma torcida genuína por aqueles que dedicam suas vidas a salvar outras? Os gritos e aplausos ecoariam, motivando esses verdadeiros heróis em suas jornadas de dedicação e conhecimento. Seria uma demonstração poderosa de como a sociedade valoriza e apoia o trabalho incansável desses profissionais. E, no final das contas, receberíamos o quinhão verdadeiro, merecido àqueles que perceberam o que é prioridade.
Jogadores recebem milhões para nos entreter. Não merecem o mesmo (ou mais) aqueles que trazem alento, conforto e vida? Não quero aqui questionar as práticas criminosas na indústria de medicamentos ou atividades duvidosas de laboratórios ambiciosos (que se acertem com Deus). Mas minha pergunta é: O quanto temos empenhado nossos esforços e atenções para atividades verdadeiramente valiosas para a humanidade? Somos capazes de seguir dezenas de atletas, mas sequer conhecemos os grandes cientistas do nosso tempo. Será que eles têm Instagram? Entretenimento, lazer, esporte é fundamental, óbvio, mas passamos do limite em paixões desmedidas, que nos levam a brigas, discussões, contendas, fins de relacionamentos e morte. Enquanto isso, aqueles que levam a vida não têm nenhuma torcida organizada gritando seus nomes. O impacto positivo que eles causam é incalculável, enquanto nossa plateia se calcula fácil: zero.
Cada vida salva, cada doença erradicada, beneficia a todos nós, e aplaudir essas conquistas seria a mais pura demonstração de gratidão e reconhecimento. Vamos sonhar e trabalhar juntos para que, um dia, esses estádios estejam cheios de torcedores, vibrando pelas vitórias mais importantes de todas: as que salvam vidas e nos ajudam a viver melhor.
Glauco Machado
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